Fernanda Young O Rio De Janeiro Continua Louco

Estive dois dias no Rio e, chegando de volta a São Paulo, isso me fez pensar.

O fato é que não consigo ir ao Rio sem retornar contundida, resfriada, ressacada. Mas, a sensação é sempre de que valeu a pena, porque lá você se diverte, e se diverte muito, mesmo que não seja essa a sua intenção.
O divertimento persegue você pelas ruas cariocas, e não há como se esconder dele. Porque não existe cidade no mundo com tanta alegria de viver, por metro quadrado.
No Rio, você sai para comprar um cigarro e na esquina, subitamente o cigarro se transforma num chope, subitamente a esquina se transforma numa pizzaria no Leblon, e, quando você se dá conta, está contando confidências para uma pessoa que você nunca tinha visto antes, com a bolsa cheia de números de telefone.
Só mesmo os cariocas dizem que São Paulo tem muito mais opções de divertimento.
Ok, aqui o número de lugares para se ir impressiona, a quantidade de gente que freqüenta a noite também, mas a questão é que, no Rio, não é necessário ser de noite nem se estar em algum "lugar" para se divertir. O perigo pode estar em qualque calçada, banca de jornal ou farmácia. Basta você encontrar um conhecido, que outro já aparece, e daqui a pouco alguém vem com a idéia de se tomar alguma coisa logo ali; e a próxima vez que você olha no relógio, já são quatro da manhã e você está num galpão dançando funk.
Comigo, pelo menos, é sempre assim: vou a trabalho e o trabalho já é uma curtição, pois a reunião de negócios tem vista para o mar. Depois, sempre tem alguma festinha já que, no Rio, basta alguém levar uma bebida e ligar o rádio para se ter uma festinha. E, como há o hábito de cada um levar a sua garrafa, todo mundo acaba se esbaldando junto.
Na hipótese bastante provável da festinha virar festa, porque um chama o outro e o outro sempre chama mais um, prepare-se para atingir índices inéditos de divertimento. Porque, no Rio, uma festa só acaba quando dá polícia. Sendo que a música só abaixa mesmo quando o aniversariante, no Rio sempre tem um aniversariante para justificar a algazarra, é quase levado em cana. Sou do Rio, moro em São Paulo, e amo São Paulo.

Mas, desculpem-me, os paulistas têm muito o que aprender com os cariocas em matéria de divertimento. No Rio, não tem VIP nem famoso, não tem "in" nem "out", não tem cafonas nem bem-vestidos. Lá, está todo mundo igual, nu nas praias, seminu ao redor delas. Sem pudor de se divertir e sem vergonha de se exceder. Os cariocas sabem pagar mico com categoria. Porque todo mundo é da malandragem.

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